eu tentei encontrar um porquê para isso tudo
eu tento me convencer de que a culpa não foi só minha
como eu poderia colocar tudo a perder?
por que eu colocaria tudo a perder?
você ficou sem saber o que pensar
sinceramente, por que você não deixou essa força tomar conta de si?
por que tão fácil?
nós vivemos em um mundo de opostos.
por que você não me deixou saber quem você é?
por que você não me atacou quando eu tive medo?
tudo bem, você não sabia que eu tinha medo
eu não te deixei saber, você não saberia lidar.
por que tantos pensamentos precipitados?
eu sempre aprendo as coisas do modo mais difícil
você: frágil por fora, forte por dentro
eu: forte por fora, frágil por dentro
frágil como alguém que rouba para sobreviver.
eu só estava desconfortável
eu só estava me sentindo pressionado
como eu pude permitir que você arruinasse o nosso plano de fuga?
como você pode desistir tão facilmente, criança?
eu estou desconcertado
isso nunca mais me alcançará.
(janeiro de 2012)
faça algo para me acalmar
eu estou em estado de choque
à sua direita
eu adormeço
lágrimas de trás das pálpebras
até que tudo tenha acabado
talvez o silêncio seja a minha fuga
a dor adormece
então as palavras têm a sua vez
(dezembro de 2011)
você pisará firme
ou vai se dar por vencido?
quem sabe
eu te dou adeus
e o deixo falando só
alimentando a raiva
espalhe um pouco de vida aqui dentro
os espelhos estão embaçados
se você quiser
pela última vez
eu posso tentar
embaralhando as cartas
tudo bem, eu não teria te salvado
se você acredita que eu não te escuto
isso me perturba mais do que você imagina
(novembro de 2011)
ninguém irá perguntar
você é único
quem se importa?
enxugue essa lágrima
todos estão bem
eu não contarei à ninguém
agora durma
não há com o que se preocupar
você é forte o bastante
para se reconhecer
isso vai passar
não dê tanta importância às palavras
todos ouvem os seus passos
sobre o fluxo
engolir a sua consciência
não nos torna próximos
eu continuarei observando
(setembro de 2011)